Na última terça-feira (28), no plenário da Câmara Municipal, uma audiência pública reuniu representantes dos blocos de Carnaval da cidade e autoridades para discutir os rumos da folia em 2018, em face da lei municipal que regula as festividades e coloca uma série de restrições para as agremiações participantes.

A audiência foi uma solicitação da Liga dos Blocos, presidida pelo cirurgião-dentista Marcelo Melara, do Bloco do O Boi (Boizão), que em 2018 completa 84 anos de existência.
Em entrevista à Jornal do Porto TV, Melara explicou que os blocos vêm passando por dificuldades desde 2015, quando a lei entrou em vigor. “A legislação praticamente inviabilizou aos blocos conseguirem manter os seus QGs (quartéis generais), que é o ponto de apoio para os desfiles e onde se faz os ensaios”, disse.
A principal reivindicação que a Liga levou à audiência foi a liberação para a montagem dos QGs no quadrilátero central da cidade, atualmente proibida pela nova lei. Outro pedido é sobre uma porcentagem da verba municipal do Carnaval ser direcionada aos blocos. “Se não tem o bloco no Carnaval de rua de Porto Ferreira não existe o Carnaval. Na verdade, uma tradição quase centenária, uma demonstração cultural que leva o nome da nossa cidade para a região e até outros Estados”, explicou Melara.
Outras reivindicações seriam discutidas na audiência. Porém, devido ao tempo ser curto até o Carnaval de 2018, a Liga priorizou a discussão sobre a ampliação do quadrilátero. Uma nova reunião será marcada para aprofundar o assunto e tentar chegar a um consenso.
Outro dirigente que se manifestou foi o advogado Renato da Cunha Ribaldo, do Bloco Infanto Juvenil. Apesar de não fazer parte da Liga, o Infanto considerou pertinente a questão principal levantada na reunião. “O quadrilátero veio para acabar com o Carnaval, matar aos poucos. A gente é a favor da extinção total, e não só diminuição, porque isso pode gerar situações políticas para A ou B e isso nós não concordamos”, destacou Ribaldo.
Ele também se mostrou a favor formalização dos blocos com CNPJ, até para garantir uma prestação de contas quando do recebimento de dinheiro público. Ribaldo criticou os “baderneiros”, ou seja, pessoas que não conhecem a tradição da folia ferreirense, e que seriam os responsáveis por tirar o brilho do Carnaval. “Infelizmente essa ideia foi comprada pelas autoridades públicas anteriores, que imputaram aos blocos essa responsabilidade que, de fato, são de terceiros. Isto eu expus para o promotor da época, mas fomos ignorados, não era interessante nos ouvir”, relatou.
O representante do Infanto ainda lamentou a falta de representantes do Poder Judiciário e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na audiência. “Sentimos a ausência para ajudar a fortalecer as ideias aqui. Não queremos nada impositivo, queremos trocar ideias para ver o bem da população e do Carnaval. Se, de fato, chegarmos a um denominador comum, todos têm que participar”, concluiu.

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